quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

"O Caçador de Pipas", uma dica literária


Livro que faz um bom tempo nos primeiros lugares de venda e o mais retirado da Biblioteca Municipal de Angatuba no último trimestre de 2008. O Caçador de Pipas , de Khaled Hosseini, trata-se de uma narrativa insólita e eloquente sobre a frágil relação entre pais e filhos, entre os seres humanos e seus deuses, entre os homens e sua pátria. Uma história de amizade e traição, que nos leva dos últimos dias de monarquia do Afeganistão às atrocidades de hoje.
Amir e Hassan cresceram juntos, e, exatamente como seus pais. Apesar de serem de etnias, sociedades e religiões diferentes, Amir e Hassan tiveram uma infância em comum, com brincadeiras, filmes e personagens. O laço que os une é muito forte: mamaram do mesmo leite, e apenas depois de muitos anos Amir pôde sentir o poder dessa relação.
Amir nunca foi o mais bravo ou nobre, ao contrário de Hassam que decidiu quem Amir seria, durante a batalha da pipa azul, uma pipa que mudaria o destino de todos.
Grande sucesso da literatura mundial, aclamado pelo público, O Caçador de Pipas teve seus direitos de edição vendidos para 29 países e já está nas telas de cinema do mundo todo, numa produção de Sam Mendes, o mesmo diretor de Beleza Americana.
Fato curioso: O Caçador de Pipas é proibido no Afeganistão, justificativa, o filme pode incitar à violência.


O autor
Khaled Hosseini nasceu em Cabul, em 1965. Aos 11 anos, se mudou com sua família para Paris, onde seu pai assumiria um posto diplomático na embaixada afegã. Após o mandato de seu pai na França, Hosseini voltou para um Afeganistão vítima do sangrento golpe comunista e da invasão soviética. Sua família pediu asilo político, e em 1980, foi para San Jose, California, onde Khaled se formou em medicina.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O seu amor


O seu amor
Ame-o e deixe-o
livre para amar

O seu amor
ame-o e deixe-o
ir aonde quiser

O seu amor
Ame-o e deixe-o
BRINCAR

Ame-o e deixe-o
CORRER

Ame-o e deixe-o
CANSAR

Ame-o e deixe-o
DORMIR EM PAZ

O seu amor
ame-o e deixe-o
SER O QUE ELE É
A obra de arte, "O Beijo", é do francês Tolouse Lautrec


Poema enviado por Mirele Antunes Serrano

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Poesia de um palestino sobre o ataque de Israel contra seu povo

Ocuparam minha pátria
Expulsaram meu povo
Anularam minha identidade
E me chamaram de terrorista

Consfiscaram minha propriedade
Arrancaram meu pomar
Demoliram minha casa
E me chamaram de terrorista

Assassinaram minhas alegrias,
Sequestraram minhas esperanças,
Algemaram meus sonhos,
Quando recusei todas as barbarias
Eles.... mataram um terrorista.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Tese de mestrado na USP por um psicólogo

'O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE'

Plínio Delphino, Diário de São Paulo.

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.
Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida: 'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador.
O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão', diz.
No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo.
No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse: 'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi.
Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar. O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.
E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão. E quando você volta para casa, para seu mundo real? Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.
Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'.
*Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

PENSAMENTO DO DIA EM 1867!!!

Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado".

Karl Marx, in Das Kapital, 1867

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O predador


Alguém virá fechar

a porteira

de madeira.

Alguém replantará uma floresta.

Alguém será honesto

ou talvez justo.

Alguém respeitará os últimos arbustos.


Entrementes

tu mentes

e eu mostro os meus dentes.

Por enquanto comemos;

o que é de somenos.

O importante é não sofrermos.

Eu bebo vinho francês;

e vocês? Vocês carregam

a mágoa de nem mesmo, terem água.

Cavem a terra; eu cavo

o ouro do Tesouro.

Plantar sem aditivos nem venenos

é sonho vosso. O nosso

é escavar debaixo dos tapetes

das ante-salas e dos gabinetes.


Dizeis que chegam pássaros migrantes?

Que importa;

os arrivistas chegam antes.


Ah, não tendes nenhuma importância.

Como as florestas

a água

o cérebro das crianças

estais para findar. E nós

os novos roedores

comemos o alicerce da Terra

e arredores.


Há névoas e fumos em todas as salas

em todas as aves e ares e selvas

que ardem.


É fogo!

E fumegamos os nossos charutos

enquanto queimamos os vossos futuros

e o vosso ar puro.

É fogo! E manipulamos os orçamentos

e passamos varrendo como os ventos

lambendo feito labaredas

as folhas verdes, as verdes sedas

das notas de dólares, lúbricas, ótimas!


Últimos.

Somos os últimos.

Os últimos frutos nós comemos,

os últimos filhos nós fazemos,

os últimos filhos nós comemos

os últimos venenos difundimos

as últimas águas poluimos

e vamos que vamos

os últimos.

E rimos!!!


E escrevemos.


Renata Pallotini
A arte pop denomina-se "Arma de Fogo"´(1968). Do artista plástico norte americano Roy Lichtenstein

Mário de Andrade / Augusto Campos


Tenho de ver por tabela,

sentir pelo que nos contam


(......)


Seringueiro, eu não sei de nada!

E no entanto estou rodeado

Dum despotismo de livros


Mário de Andrade
Pós tudo, a poesia concreta é de Augusto Campos