
Alguém virá fechar
a porteira
de madeira.
Alguém replantará uma floresta.
Alguém será honesto
ou talvez justo.
Alguém respeitará os últimos arbustos.
Entrementes
tu mentes
e eu mostro os meus dentes.
Por enquanto comemos;
o que é de somenos.
O importante é não sofrermos.
Eu bebo vinho francês;
e vocês? Vocês carregam
a mágoa de nem mesmo, terem água.
Cavem a terra; eu cavo
o ouro do Tesouro.
Plantar sem aditivos nem venenos
é sonho vosso. O nosso
é escavar debaixo dos tapetes
das ante-salas e dos gabinetes.
Dizeis que chegam pássaros migrantes?
Que importa;
os arrivistas chegam antes.
Ah, não tendes nenhuma importância.
Como as florestas
a água
o cérebro das crianças
estais para findar. E nós
os novos roedores
comemos o alicerce da Terra
e arredores.
Há névoas e fumos em todas as salas
em todas as aves e ares e selvas
que ardem.
É fogo!
E fumegamos os nossos charutos
enquanto queimamos os vossos futuros
e o vosso ar puro.
É fogo! E manipulamos os orçamentos
e passamos varrendo como os ventos
lambendo feito labaredas
as folhas verdes, as verdes sedas
das notas de dólares, lúbricas, ótimas!
Últimos.
Somos os últimos.
Os últimos frutos nós comemos,
os últimos filhos nós fazemos,
os últimos filhos nós comemos
os últimos venenos difundimos
as últimas águas poluimos
e vamos que vamos
os últimos.
E rimos!!!
E escrevemos.
Renata Pallotini
A arte pop denomina-se "Arma de Fogo"´(1968). Do artista plástico norte americano Roy Lichtenstein
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