
Das velhas impressões da infância a idéia grata
Perdura-nos fiel, volvam embora os anos;
Em vão do nosso Abril as flores sofrem danos,
A imagem delas fica indelével, exata.
Ao contrário, ai de nós! -ninguém conserva intacta
A memória, apesar de esforços sobre-humanos,
Das novas emoções, efêmeros enganos,
Cujo traço se apaga apenas se retrata.
Como esperto escanção que no banquete a taça
Entretém sempre cheia, a cada vez que passa,
Passa o tempo e noe enche a memória também.
A lembrança mais nova é a gota derradeira,
Que, ao choque mais sutil, transborda e cai; porém
No fundo permanece a primitiva- inteira.
Sully Prudhomme
Tradução de Augusto de Lima
Sully Prudhomme, poeta parnasiano francês, foi o primeiro autor a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1910
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