
Poema de circunstância
Onde estão os meus verdes?
Os meus azuis?
O Arranha-Céu comeu!
E ainda falam nos mastodontes,
nos brontossauros, nos tiranossauros, que mais sei
eu...
Os verdadeiros monstros, os Papões,
são eles, os arranha-céus!
Daqui
Do fundo
Das suas goelas
Só vemos o céu, estreitamente, através
de suas empinadas gargantas ressecas
Para que lhes serviu beberem tanta
luz?!
Defronte
À janela aonde trabalho
Há uma grande árvore....Enquanto há verde.
Pastai, pastai, olhos meus....
Uma grande árvore muito verde...Ah,
Todos os meus olhares são de adeus
Como o último olhar de um
condenado!
Elegia ecológia
As grandes damas usavam chapéus, cheios de
flores e de passarinhos .
As flores feneceram, porque até as flores
artificiais fenecem.
Os passarinhos voaram. E foram pousar nos
últimos parques onde iludem agora os seus
últimos frequentadores.
Sim! as grandes damas usavam uns grandes chapéus...
Eram cheios de flores e de passarinhos!
Mário Quintana
A obra de arte é o Grande Núcleo, de Hélio Oiticica
Nenhum comentário:
Postar um comentário